Dia da Cultura e Cidadania da População de Rua vira lei e entra no calendário de São Paulo



A data é celebrada pelo Movimento Estadual da População em Situação de Rua há cinco anos, sempre no dia 21 de abril



Robson Mendonça, Presidente do Movimento Estadual da População em Situação de Rua de SP e idealizador da lei que institui a data comemorativa e do projeto Bicicloteca, organiza e promove junto a outros parceiros voluntários; atividades como, oficinas, espetáculos, serviços jurídicos, entre outras atrações voltadas para a População em Situação de Rua, no intuito de promover sua cidadania, a tornando visível aos olhos da sociedade.

Apesar da data ser comemorada pelo Movimento há cinco anos, a lei foi instaurada em 2013, com a PL de número 305/12, com a iniciativa do até então, vereador  Chico Macena (PT), atual Secretário do Governo Municipal que a levou à Câmera para votação, sendo aprovada em 17 de junho,  e vigente a partir do dia 18 do mesmo mês, com o número de lei 15.823/13.
 
Em abril deste ano, aconteceu o VI Encontro de Cultura e Cidadania da População, na Praça da Sé, com a programação das 09h00 ás 17h00. Pela primeira vez, com apoio da prefeitura, que prestou alguns serviços/orientações, como: Consultório na Rua - Secretaria Municipal de Saúde; Orientação sobre drogas e internação - CAPS (Centro de Atenção Psicossocial); Atendimento Social nas Tendas - Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social; Documentação Poupa Tempo - Governo Estadual; (CAT) Centro de Apoio ao Trabalho - Secretaria Municipal do Trabalho, Desenvolvimento e Empreendedorismo; Balcão de Atendimento em DH - Secretaria Municipal de Direitos Humanos.

O encontro contou também, com a participação de artistas autônomos, protagonizadas pela própria população de rua, a Banda GCM, concertos de rock, Peças teatrais, poesias, brincadeiras para as crianças, entre outras atrações.



Bicicloteca

Trata-se de uma biblioteca itinerante, e “um movimento independente existente em diversas comunidades brasileiras para levar a leitura até ás pessoas sem acesso a biblioteca, as quais utilizam  a bicicleta como veículo para o transporte de livros”, criado.
Ainda conforme site do projeto, O conceito de biblioteca itinerante nasceu da necessidade de levar cultura para as pessoas que por diversos motivos não tem acesso a biblioteca.  Qualquer ONG que trabalha com população carente, poderá requerer uma ‘Bicicloteca’ do IMV( Instituto Mobilidade Verde),  bastando para isso do Edital do Instituto Mobilidade Verde.

Para doar livros para a Bicicloteca:

Movimento Estadual da População em Situação de Rua
Rua José Bonifácio, 395
Cep: 01003-000 – Centro – São Paulo – SP

Biblioteca Municipal Mário de Andrade
Rua da Consolação, 94 – – Centro – SP

Jovens são assassinados em Itaquera

Nota de repúdio - Comitê pela desmilitarização da polícia e da política da Zona Leste




"(...)E as ocorrências prosseguem sem problema nenhum,
continua-se o Pânico na Zona Leste. "
(parafraseando Racionais Mc´s ,em Panico da Zona Sul).

As agências formais e informais do Sistema Penal - com as polícias e grupos de extermínio- mais uma vez demonstram o peso de sua violência contra a juventude das periferias. Na madrugada do dia 20 de março de 2014 perdemos mais três jovens (15,18 e 19 anos de idade), moradores da região de Itaquera/ZL, executados a tiros, reflexo da barbárie cotidiana que ocorre contra a juventude das periferias. As testemunhas relatam que os disparos contra os jovens foram realizados por homens que se encontravam divididos em dois carros.

Este cenário de genocídio compõe a estrutura militarizada da sociedade, que tem cada vez mais se endurecido contra nós, moradores das periferias da cidade, projetando enquanto política de estado o encarceramento em massa ou o extermínio.

Não queremos mais nossa juventude sendo exterminada!
Não queremos mais mães chorando por seus filhos mortos!

Sentimos muito por mais essas perdas, e solidarizamo-nos com os familiares.
E nos mantemos em luto e em luta!

Comitê pela desmilitarização da polícia e da política - Zona Leste


Saiba mais em: facebook.com/pages/Desmilitarização-da-polícia-e-da-política

ACONTECE NO CCJ -

EXPOSIÇÃO: 100 ANOS DE CAROLINA MARIA DE JESUS



Nem o tempo foi capaz de calar sua voz! 100 anos de Carolina Maria de Jesus
"Carolina Maria de Jesus é homenageada por sua escrita negra e revolucionária no Brasil. Catadora de papelão aprendeu a escrever com um livro que achou no lixão.
Em 1960, Carolina foi reconhecida pelo jornalista Audálio Dantas, pelos seus 35 cadernos de anotações, o que gerou o lançamento do livro “Quarto de despejo: Diário de uma Favelada”.
A Exposição irá materializar seus valores por meio de livros, fotos, vídeos, revistas e trechos das poesias de Carolina, trazendo cheiros (essências/ incensos e flores) que remetam aos gostos particulares da homenageada."

Abertura dia 08/03, sábado, 13h. Hall de Entrada do CCJ e Biblioteca Jayme Cortez.
Visitação de 9/3 a 6/4, terça a domingo durante o horário de funcionamento do CCJ.

Viva a diversidade dos corpos!

"No ar desde maio de 2012, o site www.genitalia.me já coleciona cerca de 500 fotografias de genitálias coletadas em diversos lugares do mundo, dispostas randomicamente em um mosaico genital infinito. As imagens são coletadas, geralmente, em tendas montadas em festas, de forma voluntária e anônima.
Cidades como São Paulo (Calefação Tropicaos, VoodooHop, Ateliê 397), Porto Alegre (Festa DaDa), Berlim (FunkHaus Grünau), Paris (6B) e Barcelona (Muestra Marrana) já receberam as tendas do grupo para coletas fotográficas."

Fonte: Divulgação BMG


Segundo ato contra a Copa acaba em violência e prisão de manifestantes e jornalistas em São Paulo

Polícia Militar usou “tropa de braço” com a justificativa de conter possíveis excessos durante o ato que aconteceu no último sábado (22)


                                                                                                                 (Foto: Nelson Almeida / AFP)

O segundo ato contra a realização da Copa, convocado por movimentos sociais, que teve seu início na Praça da República, em frente à Secretaria de educação do Estado, foi marcado pela forte presença policial, que desta vez estava em quantidade expressiva, maior que o número de manifestantes.

 Conforme Portal do G1, durante protesto, 260 pessoas foram detidas, entre elas profissionais da imprensa, que mesmo com identificação profissional, foram agredidos e detidos sem justificativa. Além deles, diversos outros manifestantes foram imobilizados pela Tropa de Braço, que agiu com truculência, ao aplicar golpes de gravata.

Em contrapartida, Polícia Militar alega apenas ter contido violência patrimonial por parte de manifestantes mascarados, conhecidos como Black Bloc, que depredaram bancos e outras instituições conforme o protesto acontecia.

O coletivo ‘Advogados Ativistas’ alega que a Polícia Militar fez um boletim de ocorrência coletivo no qual acusa os manifestantes por desobediência e agressão física, por conta de uma PM que quebrou o braço durante confronto. No entanto, ainda segundo o coletivo, os manifestantes estão sendo fotografados e detidos como forma de esvaziar protesto.

Carnaval à moda grega ...

Sejamos o carnaval, que reverbera todo sentimento avassalador que temos preservado, abarcado, incompreendido. É época de postergar o pseudo moralismo em prol dos desejos mais profundos, ousados ... Que se explicitam em meio  á multidão fantasiada no bloco carnavalesco, junto á marchinhas e máscaras à la colombina. É época de nos permitimos ao prazer de ser pagão, seja belo ou não!
Começa na eufórica sexta a noite e se arremata na quarta feira de cinzas, dia festa, dia de missa.

Me gustas tu

A princípio, regurgitava todo aquele amor, que me recusava a sentir. Mas ainda sim, me encantei, mergulhei, imergi. E então, fiquei a te observar á quase um minuto. Um minuto intenso ... Assim, olhei, olhei e sorri. Logo em um dia, que só fiz chorar incessantemente. E você, alguém que pouco conhecia me fez cansar de prantos. E feito criança, abri a boca, mostrei os dentes, e agora mais leve me pus a te admirar, naquela bela noite de setembro.

Oh menino, tu assim tão rápido me conquistou! Deixemos todos os problemas de lado, vamos nos por a amar ao som de Mano Chao, discutir Marx, enquanto esperamos o pôr do sol?

Pois é, e desde então, propus a mim mesma, a deixar-me levar, a ouvir, a sentir novamente. Essas poucas linhas de um amor tão clichê me causou uma tal transcendência, que tão pouco me importava se ele iria se materializar.

De repente, de maneira bastante tímida nos enamoramos, descompromissadamente, sem pretensões futuras. Mas cá estava eu, fadada à paixão avassaladora e fatídica que já sentia por ti. Tola, mal sabia que toda aquela ventania interna, não passara de uma brisa passageira.

Mas, como era de se esperar, minha timidez incontrolável nessas horas, limitou nosso enamorar à conversas regadas a muita política e poesia, à olhares tímidos e esbarrões em meio as suas promessas não cumpridas, que ficaram congeladas num bate papo, numa sexta de madrugada, em alguma outra dimensão, que já não existe mais. Palavras se esvaíram, sentimentos que não fazem mais sentido, como se tivéssemos nos dado ao desfrute de nada ...



A tal sinceridade!

Gosto de gente que faz o que diz. Que tenta pelo menos diminuir a distância entre o FALAR e FAZER, que seja no mínimo coerente com o que pensa e sente.
Sermos corajosos na nossa zona de conforto é fácil ...

Odeio artifícios! Sinceridade é realmente algo louvável hoje em dia ...

Pode parecer um pouco um pouco clichê. Mas quando fico aqui tentando divagar sobre sinceridade, não estou dizendo sobre a tal "sinceridade" escancarada, da qual se profere tudo o que sente para o outro, sem nenhuma responsabilidade por aquilo que é expressado. O que digo não é sobre apenas falar a verdade e ponto, fim. Não, a sinceridade, pelo menos ao meu ver trata-se de algo maior, é sobre ser verdade, sentir o que diz e dizer o que sente. É ser intrínseco, e deixar-se ser apenas ... Sem jogos, sem ressalvas!

O problema, é que percebo que não nos deixam ser de verdade, pelo menos não cem porcento. Desde que o mundo é mundo, somos treinados a dissimular,a retermos nossos sentimentos, desejos. Logo sucumbimos ao superficial, ao falso moralismo, à uma auto deterioração, sucumbimos principalmente ao medo, medo daquilo que poderá acontecer, ao ponto de nos angustiarmos com o possível sucesso que poderíamos ter, mas faço desse pequeno texto mais uma reflexão em cima da sinceridade nas relações, que me parece tão escassa ...

O que são 'jogos de sedução'? Alguém pode dar-me a definição? Esse título popularmente conhecido não se limita pura e simplesmente em seduzir. Seduzir, encantar, cativar é algo tão bom, tão gostoso e etc e tal; o perigo é a tal palavrinha "jogo", o mais perigoso ainda é quando se estabelece um monte de regrinhas estúpidas que cerceiam nossa liberdade de sermos autônomos(as) em nossa forma de nos relacionar com o mundo e com nós mesmos ...

Nada melhor que sentir, dizer sem receio da rotulação. Mesmo quando falamos besteiras sem querer, ou quando nos deparamos com atos falhos. O que nos resta é sorrir, e rir de nós mesmos, sem medo de parecermos bobos. Aliás, essa sensação é fantástica, e é isso que nos faz humanos.

Não há regras para amar, para sentir ...

“É melhor ser desprezado por viver com simplicidade do que ser torturado por viver em permanente simulação.”

Sêneca

Gastronomia orgânica cresce e ganha adeptos

Acontece no Parque da Água Branca a quarta edição do Festival de Gastronomia Orgânica de São Paulo : Sustentabilidade e Vegetarianismo


Aconteceu do dia 17 ao dia 20 de outubro, o IV festival de gastronomia orgânica de São Paulo: Sustentabilidade e Vegetarianismo, que é  é realizado em parceria com a Associação de Agricultura Orgânica (AAO) e também com a Secretaria de Educação, já que o evento também realizará oficinas para crianças da rede pública de ensino. Trata-se de um projeto idealizado pela Chef de Cozinha Leila D. Barsoles, que trabalha com uma gastronomia sustentável, mostrando assim o quão rica e saborosa pode ser a gastronomia brasileira dentro do aspecto orgânico. A entrada é franca, só é necessário fazer a inscrição no local. A programação conta com feirinhas para degustação e vendas de produtos orgânicos, oficinas de culinária vegan para crianças e adultos à palestras sobre esses alimentos e projetos de cunho sustentável, como o Biofort e Itaipu.


A realização deste festival, desde seu surgimento tem a proposta de evidenciar e esclarecer o que é a gastronomia orgânica, que nada mais é do que “um produto certificado e proveniente de sistemas orgânicos, com produção que otimiza os recursos naturais e socioeconômicos, respeitando o meio ambiente e as pessoas que ali trabalham, sendo cultivado sem agrotóxicos e produtos químicos”, assim afirma a Cia. Orgânica, empresa que trabalha com a produção de alimentos orgânicos, como principal produto, o café, e que inclusive participa desse festival gastronômico, com amostras e degustação.



 “O intuito deste festival é de fomentar a agricultura orgânica com qualidade de vida aqui em São Paulo, desde a agricultura até a mesa do consumidor. Na realidade é trazer informações, porque as pessoas não têm informação, e melhorar a saúde mesmo, os hábitos alimentares. Nós, inclusive temos uma feirinha que será gastronômica vegana. Então acho que mais do que um festival, é comida, sabor, saúde, meio ambiente, etc. Acredito que está tudo interligado. É importante que as pessoas consigam enxergar a gastronomia de forma mais abrangente”. Afirma a Chef de cozinha, Leila.

Amanda Costa (19), visitante do festival, achou muito interessante a temática, e diz ter ficado surpresa com a culinária vegetariana. “Eu, particularmente, não sou vegetariana. Mas fiquei sabendo desse evento gastronômico de última hora e me deixou curiosa. Degustei alguns pratos e confesso que me apaixonei por esse tipo de culinária. Sempre tive um certo preconceito por gastronomia orgânica e vegetariana, mas a comida é muito deliciosa”, confirma Amanda.

Raquel Blaque, cozinheira e idealizadora do Projeto Creative Commes, diz a dificuldade que enfrentou para achar alimentos orgânicos em São Paulo. “Nos inscrevemos, mas não conseguimos ir, por dificuldades de comprar os ingredientes, foi muito difícil, daí desistimos. Podemos então, falar de dificuldades de se obter orgânicos na cidade.”

Para fechar o evento, domingo (20), aconteceu o seminário promovido pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SBV), com palestras e debates sobre o que é o veganismo, que foram pontuados desde os impactos ambientais que o consumo de carne causa á exposição da campanha Segunda sem Carne e Merenda Vegetariana, ministrados por diversos profissionais da área, entre eles, Guilherme Carvalho e Mônica Buava Caliman.

Câncer Colorretal está entre cinco tipos câncer que mais acometem a sociedade

Se diagnosticado previamente, câncer tem probabilidade grande de cura. A prevenção é rápida e deve ser feita anualmente ou conforme conduta médica. Realizando apenas um TSOF (Teste de Sangue Ocultos nas fezes) anual, onde só será realizado exame complementar se necessário.
 


           
 
É inegável dizer que o câncer tem sido uma constante na vida das pessoas, em que o número de mortes decorrente desta doença tem sido cada vez maior. Segundo informações oriundas da OMS (Organização Mundial da Saúde) coletadas nos sites da própria organização e no “Mundo Estranho”, o câncer de intestino está entre os cinco tipos de doenças oncológicas que mais acometem a sociedade.

            A origem deste tumor, que acontece na região do colo do intestino, se dá na maioria das vezes, através da má alimentação, por isso é recomendado ingerir alimentos integrais e fibrosos que também ajudam a regular o funcionamento do intestino, prevenindo assim, a formação de pólipos, que podemos chamar de um “pré câncer”, que são pequenas bolinhas que ficam na parede intestinal que podem ser retiradas durante o exame de colonoscopia. 

            Porém também é considerado o fator hereditário, ou seja, existe a probabilidade geneticamente familiar, com relação direta a pais e avós. A faixa etária de risco para adquirir esta doença é por volta dos 50 aos 75 anos de idade. Então deve se atentar aos exames de rotina e manter um estilo de vida e alimentação saudáveis.

            A Dr. Angelita Gama, uma cirurgiã bastante conceituada e pesquisadora sobre esta doença, fundou a Associação Brasileira de Prevenção do Câncer de Intestino (Abrapreci), um projeto pioneiro na área de câncer colorretal. Em entrevista no site da “CREMESP”, ela alerta para a conscientização da prevenção, e afirma que o aumento da doença é de cunho global. Em parceria com o Hospital Alemão Oswaldo Cruz e Ministério da Saúde, ela colabora junto à sua equipe, com o projeto de Sustentabilidade Social para a prevenção e rastreamento do câncer, na Mooca, zona leste, onde os pacientes são atendidos pelo SUS.

 

O que é a Laicidade?

 
A Laicidade é a forma institucional que toma nas sociedades democráticas a relação política entre o cidadão e o Estado, e entre os próprios cidadãos. No início, onde esse princípio foi aplicado, a Laicidade permitiu instaurar a separação da sociedade civil e das religiões, não exercendo o Estado qualquer poder religioso e as igrejas qualquer poder político.

Para garantir simultâneamente a liberdade de todos e a liberdade de cada um, a Laicidade distingue e separa o domínio público, onde se exerce a cidadania, e o domínio privado, onde se exercem as liberdades individuais (de pensamento, de consciência, de convicção) e onde coexistem as diferenças (biológicas, sociais, culturais). Pertencendo a todos, o espaço público é indivísivel: nenhum cidadão ou grupo de cidadãos deve impôr as suas convicções aos outros. Simétricamente, o Estado laico proíbe-se de intervir nas formas de organização colectivas (partidos, igrejas, associações etc.) às quais qualquer cidadão pode aderir e que relevam do direito privado.

A Laicidade garante a todo o indivíduo o direito de adoptar uma convicção, de mudar de convicção, e de não adoptar nenhuma.

A Laicidade do Estado não é portanto uma convicção entre outras, mas a condição primeira da coexistência entre todas as convicções no espaço público.

Todavia, nenhuma liberdade sendo absoluta e todo o direito supondo deveres, os cidadãos permanecem submetidos às leis que se deram a si próprios.

  1. A Laicidade é anti-religiosa?

De modo algum. Pode ser-se crente e laico, como se pode ser socialista ou liberal e democrata. A Laicidade não é irreligião: ela oferece mesmo a melhor protecção às confissões minoritárias, pois nenhum grupo social pode ser discriminado.

A existência ou a inexistência de um deus são duas hipóteses igualmente inverificáveis do ponto de vista da razão, e igualmente inúteis para a gestão do interesse público. Indiferente e incompetente em matéria de doutrinas e crenças, o Estado laico só se ocupa do que releva do interesse público.

  1. A Laicidade é anticlerical?

Por princípio, a Laicidade garante a liberdade de crença e de culto dentro dos limites das leis comuns e da ordem pública. Entretanto, a Laicidade opõe-se ao clericalismo logo que este preconiza discriminações ou tenta apropriar-se da totalidade ou de uma parte do espaço público.

A Laicidade opõe-se também ao sistema de «igrejas reconhecidas» em vigor na maior parte dos cantões suíços, e que confere às confissões maioritárias privilégios escolares e fiscais discriminatórios.

  1. A Laicidade opõe-se à liberdade de expressão?

Antes pelo contrário: a liberdade de expressão não é apenas uma condição necessária da Laicidade, é a sua origem. Os inventores da separação das igrejas e do Estado contestaram as religiões de Estado, muitas vezes protestantes, e foram perseguidos pelas suas ideias…

O que ameaça a liberdade de expressão é portanto o direito que se arrogam certos grupos de censurar toda a opinião diferente a coberto de uma dignidade ferida.

A liberdade de expressão não deve conhecer outros limites além dos de ordem pública e de atentado aos bons costumes. Só devem ser proscritos e perseguidos em justiça os insultos, as ameaças e as difamações contra indivíduos ou pessoas morais.

  1. O que é a Laicidade «plural» ou «aberta»?

Um slogan vazio de sentido e um absurdo conceptual. Confundindo pluralismo e pluralidade, pretendem-se conceder direitos específicos a cada grupo que reclama uma identidade específica.

A expressão «lacidade plural» visa diabolizar a Laicidade apresentando-a como dogmática. São os integristas e os relativistas quem utiliza esse termo. Ora são eles quem representa um risco real para a diversidade de ideias e de pertenças: os primeiros porque estão certos de possuir uma verdade incontestável, e querem impô-la pela opressão; os segundos porque acham todas as opiniões contestáveis, e portanto permutáveis. Ora, toda a sociedade necessita de um mínimo de princípios prioritários.

Racionalmente, não seria possível defender simultaneamente um espaço público comum e conferir isenções de direitos a este ou aquele grupo de cidadãos. Nem discriminações, nem privilégios, esse é o lema de qualquer Estado garantindo a todos os cidadãos a igualdade de tratamento.

  1. E a tolerância?

A tolerância pressupõe sempre que alguém tolera e que alguém é tolerado: em geral, uma maioria tolera as minorias. A Laicidade faz melhor: as leis que o povo se confere democraticamente são válidas para todos os cidadãos. Sendo a cidadania cega às diferenças, uma minoria não pode ser tratada diferentemente da maioria.

  1. A Laicidade opõe-se ao multiculturalismo?

Não quando ele é de facto, mas sim quando é de Direito. A Laicidade defende a multiplicidade das culturas contra as tentativas de uniformização do neoliberalismo, por exemplo. Enquanto facto, o multiculturalismo parece-nos uma oportunidade.

Pelo contrário, a teoria multiculturalista leva à destruição das sociedades democráticas, porque, partindo do direito à diferença, que se aceita, visa defender diferenças de direitos incompatíveis com a igualdade, e que levam ao comunitarismo, quer dizer, à pretensão de certos grupos de escapar às leis comuns.

O multiculturalismo é justamente a consequência de um fracasso na definição de um espaço comum que ultrapasse as diferenças.

A vontade dos multiculturalistas de procurar a igualdade é legítima, mas os meios que se propõem são contraproducentes: a discriminação positiva, que tende a restabelecer a igualdade compensando as desigualdades culturais, leva a efeitos perversos que reforçam a exclusão em vez de a atenuar. O racismo das minorias contra a maioria ou contra as outras minorias leva à guerra de guetos.

Toda a discriminação é por definição negativa


Fonte: laicidade.org/documentacao/textos-criticos-tematicos-e-de-reflexao/aspl/

Afrô

 
Seja como for, seja como flor
em seca que for, cultive o amor que ele ou ela virá
Beijará afro...dite dirá, se precisar afrô afrontará
Mas quem vier pra sentir, sem tirar, sentirá.
Se te plantaram, tu és planta, então seja como flor
A tua semente foi plantada em terra preta por mãos sofridas
E não no algodão artificial do cientista
Eu falo em nome das rosas despedaçadas pelos cravos, cravinhos, cravocratas

Simbolize a paz, a morte em maços de florais                                            
Mas principalmente os desejos sexuais
Você tem preço só pro vendedor de flor
Pros amantes tu tens valor

Seja como for negô
Seja como for negá
Mas não vai negar a sua raiz

Entendeu agora por que não da pra ser florzinha
Que ao ver o guardinha gela?
Tem que ser forte que nem a planta favela

Reagir, resistir
Proteger a sua floribela na primavera

A reprodução
E quando mudar a estação
Não fique parado na anterior
Seja como flor
Floração

O mundo não pára girassol
Cai a chuva e vem o sol
Não se preocupe se isso vier a desbotar a sua cor
Porque a sua essência é vermelha
E será sempre afrô

Emerson Alcalde







 

Joaquim Barbosa propõe demissão de servidora do Tribunal Judiciário do DF

             A funcionária é Adriana Leineker, esposa de jornalista do Estadão, que faz cobertura do STF
  
                                                                                                                   
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, pede demissão de servidora, por ser mulher de jornalista, na última quarta feira (02), alegando ser uma situação “antiética”. A esposa do jornalista trabalha no gabinete de Lewandówski desde o ano 2000 e tem conduta ilibada, não apresentando nenhum episódio de má gestão.

O jornalista não citado no ofício de Barbosa é Felipe Recondo, que atua no jornal “O Estado de S.Paulo” desde 2007, fazendo cobertura do Poder Judiciário, trabalhando inclusive no processo do Mensalão. Recondo venceu o prêmio Esso de jornalismo de 2012, devido também uma das suas reportagens ‘Farra Salarial no Judiciário’.

O atrito entre ministro e jornalista se deu em março deste ano, justamente pela sua reportagem com parceria de Fausto Macedo, em que o Estado fez solicitação de cunho legal, para apuração de fontes e desenvolvimento da matéria. Isso levou Barbosa a chamar o jornalista de “Palhaço”, o mandando “chafurdar no lixo”. Após essa situação, presidente do STF pede desculpas ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), atribuindo a agressão ao seu cansaço.

Segundo Cinthia Araújo, estudante do 4º ano de direito da Universidade São Judas Tadeu, a atitude do Presidente do STF é incoerente. “Esse tipo de atitude fere a liberdade individual da servidora, enquanto cidadã, acho que isso é uma discriminação, pois  a vida pessoal não se relaciona com a profissional”.


Ricardo Lewandówski se recusa à demitir sua servidora, afirmando que ofício de Barbosa é insensato, pois não há motivo concreto para tal atitude, alegando que não houve nenhum episódio desta relação conjugal que afetasse seu trabalho.

A periferia grita!



A periferia grita

Entre becos e esquinas
A favela rima, cria e recria
Na tal cidade cosmopolita
E o povo à gritar
Recitar, cantar, à acreditar ...

Na escrita, na fala, no grafite
A arte da rua denuncia a falcatrua
A podridão nua e crua
almejando a cura

Sobreviver está no sangue
No morro, eu morro
Nos compelem
A gente expele e repele

Tá no sangue, na cor da pele
Negritude, atitude, juventude
Negação, NegrAÇÃO, deNEGRIr?
Querem excluir nos ferir, inquerir

Querem nos furtar a cor, a raça
Inquisição da desgraça
Essa polícia que nos mata

São vários manos, vários desenganos
A favela é forte, mas tem passaporte pra morte
Então não cale, não fuja, grite se tiver sorte!

Carta em apoio à Marcha das Vadias-RJ


Por meio desta carta manifestamos nosso apoio à Marcha das Vadias do RJ, denunciando as violentas retaliações que culminam em ameaças de morte, que as militantes Rogéria Peixinho, Danielle Miranda e Nataraj Trinta têm sofrido. Colocamos aqui também, nosso repúdio às grandes mídias, principalmente às televisivas, que não se dão ao trabalho de noticiar violências como esta. Mas que em contrapartida, veiculam massivamente “notícias” relacionadas a JMJ e ao Papa, de forma tendenciosa e que vai contra aos princípios de neutralidade jornalística, em que simultaneamente demonizam o movimento feminista, como o fato que ocorreu no dia 27 de julho.

Sabemos, também, que as performances com objetos religiosos, não foram organizadas pela Marcha das Vadias – RJ, já que o protesto é um ato de cunho libertário, e logo aberto a quem se identifique à causa, ou seja, usaram desta ação independente para deslegitimar a marcha, que em sua ideologia, não prega de forma alguma a intolerância religiosa, inclusive, sabemos que a Marcha tem apoio das Católicas pelo Direito de Decidir, “organização não governamental feminista. Busca a justiça social, o diálogo inter-religioso e a mudança dos padrões culturais e religiosos que cerceiam a autonomia e a liberdade das mulheres, especialmente no exercício da sexualidade e da reprodução.”

Enquanto Promotoras Legais Populares, ratificamos nosso compromisso com a liberdade de expressão artística, religiosa, de consciência, de pensamento, de crítica, de vestimenta, e todas as liberdades civis individuais e coletivas garantidas pela Constituição Cidadã de 1988, e é por isso, a luta do movimento feminista, em prol de uma igualdade efetiva de direitos entre homens e mulheres, porque um movimento como a Marcha das Vadias é de extrema importância para a desconstrução de uma ideologia patriarcal e sexista. Tal ação de extrema intolerância, velada pela grande imprensa, nada mais é, do que o resultado de uma sociedade misógina e machista, e é por isso que  marchamos e marcharemos!

 

 

Promotoras Legais Populares de São Paulo

 

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Sobre a Marcha das Vadias/Rj e pressão religiosa

Não acho que um símbolo católico, que só tem significado para tal religião ser quebrado por pessoas que não creem naquilo seja desrespeito ou intolerância, a marcha estava acontecendo em um local público, a rua, e esses símbolos ao menos estavam dentro de um centro religioso. Porque se for pra deslegitimar o protesto e a marcha, vamos também deslegitimar por exemplo, a religião evangélica que tem ...ido ás ruas atualmente, com marchas intituladas "A favor da família", com pautas ao meu ver, intolerantes (quem quiser pode pesquisar pra confirmar que não estou errada), que na boa não levam em conta nenhum direito humano, que renegam qualquer pessoa esteja fora dos padrões institucionais evangélicos, que em pura arrogância querem por que querem tornar a homossexualidade doença.

Intolerância religiosa só se dá quando sua "FÉ" impõe valores religiosos, que agora viraram SENSO COMUM, e afeta negativamente a vida de outras pessoas, por exemplo, quando de instaura a homofobia, usando argumentos do tipo: " homossexualidade é do diabo, não vão pro céu", ou até mesmo quando limita a liberdade da mulher ao seu corpo, quando se condena de forma tão voraz o aborto de um feto de 12ª semana de gestação, que não tem nem atividade cerebral,
devido a um sistema ainda muito primitivo para tal função. Quando se profere um absurdo desses dentro de uma instituição religiosa, já é foda p/ caralho, porque já cria uma puta de uma segregação, excluindo aqueles que poderiam e gostariam de frequentar a igreja e religião da forma que melhor se sentir. Agora estender esses valores à um Estado "laico", já é patifaria das brabas!

E outra, preciso dizer para aqueles que acreditam veemente que com esta Marcha tão "desrespeitosa" o Movimento se enfraquecerá e sofrerá repúdio da mídia em geral. Caros, não sejamos ingênuos, desde quando a mídia foi a favor do feminismo e das reivindicações que temos? Ainda mais uma Globo da vida, que me pareceu ter fechado um contrato com o santíssimo Papa.

Eu participo da Marchas das Vadias de Sp, e nunca vi uma notinha se quer sobre o ato, mas é claro que esses jornais 'laicos', 'neutros' e blabla wikasashê não poderiam de forma alguma deixar de noticiar em primeira mão algo como este, afinal estava acontecendo a JMJ e nada poderia atrapalhar um evento tão lindo, cerimonioso e cristão como esse não é?

Intolerância religiosa é difamar outras religiões, principalmente as de vertentes africanas em programas televisivos, criando estereótipos preconceituosos, quando usa-se a palavra MACUMBA, de forma totalmente errônea e satirizada, em prol do "HUMOR". Já coloco aqui o nome de uns dos N programas que ridicularizam estas religiões, como por exemplo o Zorra Total, que de fato é uma zorra, que põe o pobre, o negro, o gay algumas religiões, desde a criação de seu programa, pra lá da linha da marginalização, exclusão e etc ...

Então eu digo: Abaixo a repressão religiosa e nos deixei livres para que possamos protestar. O respeito deve imperar em todas as partes!

Feminismo para quê?

  Então para quer serve o feminismo mesmo? Ao contrário do que acham os machistas, o movimento não é uma guerra declarada aos homens, mas sim um nítido grito por igualdade, que se estende em forma de luta, protesto e muitas protagonistas fazendo política. Me perdoem aqueles e aquelas que sabem o que é ser feminista, mas é que ouço tantas definições torpes e preconceituosas por aí que achei super, mega necessário pô-la aqui.

  Ser feminista antes de tudo é resgatar e lutar para garantir nossos direitos, que têm sido negados e rechaçados a anos, foi por este movimento que existe desde que o mundo é mundo, que conquistamos vários direitos até então, mesmo com a dificuldade e todo machismo institucional existente.

  Logo, o movimento é extremamente legítimo e louvável, embora AINDA seja bem difícil ser feminista nos dias de hoje, me parece que, quando nos intitulamos feministas, já recai olhares às vezes raivosos ou debochados, como se fosse patético mulheres fazerem parte de um movimento que requer fazer política. E esses olhares vêm até mesmo do próprio partido da qual uma militante partidária é filiada e/ou parlamentar, mas o machismo está impregnado em diversos aspectos de nossa sociedade patriarcal. Do assédio que muitos alegam ser ‘elogios’, quando, por exemplo, nos chamam de gostosas nos coisificando a uma simples carne e por sina da barata; até mesmo à  privação de liberdade ao nosso corpo, inferiorização do trabalho da mulher, projetando em nós padrões físicos, morais e/ou intelectuais, nos privando até mesmo de nossa sexualidade, o que nos faz ouvir com muita frequência frases decadentes do  tipo: “ Se não for assim, não é mulher que preste!”, e por fim ao nosso GENOCÍDIO, que em sua grande maioria começa em casa, pelos ditos maridos; daí se dá a violência doméstica, que é crime. - planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11340.htm – Lei Maria da Penha.

  Ouço por algumas pessoas também o seguinte clichê: “Todo homem é machista, nossa sociedade é machista, nasceu com pênis já era, é inevitável não ser, fomos criados assim, um homem que diz não ser machista é hipócrita.” Ai senhor, meu ouvidos doem, mas beleza, vamos esclarecer as coisas. Primeiro, que você, pessoa que diz uma coisa dessas, de certo é leviano para dizer algo assim, vivermos numa sociedade patriarcal não é justificativa para o seu machismo querido(a).Segundo que estudar é bom, para desconstruir essa estrutura que afeta o mundo todo, sabe quando dizem, “a educação é a base de tudo”? Pois é, a afirmação é verdadeira; participe de debates, leia livros sobre a questão, analise; não saia julgando tudo, se achando o dono do saber, aliás este é um grande problema dos preconceituosos em geral, são arrogantes demais para se perceberem. Então vos digo, o pior ignorante é aquele que se acomoda em sua ignorância intrínseca e a usa para proferir inverdades.

  Coloco em pauta também a criminalização do aborto, voltando ao ponto x, que nos põem novamente na figura de um ser procriador apenas. É óbvio que qualquer mulher em sã consciência não quer fazer o aborto, por N motivos, principalmente pela complicação e risco de fazê-lo. A questão não é aceitar, ser a favor ou contra o aborto, mas sim não criminalizá-lo, por em pauta a legalização do mesmo. Já que é de conhecimento de todos, e se não for, cá estou para informa-lhes, que um feto até a 12ª semana de gestação não tem atividade cerebral por ser portador de um sistema ainda extremamente primitivo para tal função.

Está aí um profissional idôneo e reconhecido, que pode ajudá-los a refletir sobre a legalização: “Não há princípios morais ou filosóficos que justifiquem o sofrimento e morte de tantas meninas e mães de famílias de baixa renda no Brasil. É fácil proibir o abortamento, enquanto esperamos o consenso de todos os brasileiros a respeito do instante em que a alma se instala num agrupamento de células embrionárias, quando quem está morrendo são as filhas dos outros. Os legisladores precisam abandonar a imobilidade e encarar o aborto como um problema grave de saúde pública, que exige solução urgente.”, Drauzio Varella.

  Ou seja, o que nos resta é nos empoderar de nossos direitos e fazer com que se concretizem, através de pressão, protestos e etc. Só fazendo muita política é que atingiremos nossos objetivos, que deveriam ser vistos como simplórios e HUMANOS, já que o corpo de cada mulher, pertence pura e simplesmente à ela.

 Espero ter colocado, mesmo que de forma resumida, o que considero ser feminista e como isso é para mim. Ser feminista é quebrar tabus e preconceitos, mas antes de tudo, é lutar pela equidade de direitos entre homens e mulheres. Entendeu agora o porque do movimento? Então para fechar a discussão: Sou feminista baby, e isso é intrínseco a mim, desde que nasci ;)


“Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância.” Simone de Beauvoir

Desmilitarização das Polícias do Brasil

"A Constituição Federal Brasileira de 1988, prestes a completar seu primeiro quarto de século, é obrigada a conviver com uma série de fracassos sobre diversos pontos de seu texto magno. Muitos dos direitos humanos por ela assegurados, a começar pelo direito à vida e à liberdade de ir e vir, continuam sendo cotidianamente violados. 

Dentre esses problemas, um dos principais entulhos do período Escravocrata e, mais recentemente, da Ditadura Civil-Militar, é a violência sistemática de agentes do estado contra a nossa própria população. A violência policial é hoje, certamente, um dos principais problemas a serem enfrentados pelo Brasil no que tange à defesa dos direitos humanos em nossa sociedade. A persistência da tortura nas abordagens cotidianas e nas delegacias policiais, como “técnica” de “investigação” por parte dessas instituições, mesmo pós-ditadura; o encarceramento massivo de pessoas (o Brasil atualmente ocupa a 4ª posição mundial, com mais de 520.000 pessoas em privação de liberdade); e, principalmente, as execuções extrajudiciais cometidas sistematicamente por agentes do estado, conformam um quadro preocupante em relação à
segurança pública e à garantia da cidadania básica para a grande maioria da população.

É dentre os vários aspectos desse problema que as execuções sumárias cometidas por grupos de policiais militares ou paramilitares de extermínio configuram, por certo, a dimensão mais brutal. Não foi outra a conclusão do mais recente Mapa da Violência (2012), coordenado pelo professor Júlio Jacobo Waiselfisz e divulgado no início do ano pelo Ministério da Justiça (http://mapadaviolencia.org.br/PDF/Mapa2012_Tra.pdf), o qual procurou investigar “os novos padrões da violência homicida no Brasil”: ao longo dos últimos 30 anos, mais de 1 Milhão de pessoas foram assassinadas no país. Neste período histórico ironicamente concomitante à redemocratização brasileira, houve um aumento de 127% no número de homicídios anuais no território nacional – dos quais a imensa maioria das vítimas é composta por jovens pobres e negros, conforme demonstram as diversas estatísticas correlacionadas no estudo. Verdadeiros números de guerra.

Um cenário que tem preocupado crescentemente a opinião pública e diversos órgãos especializados em Direitos Humanos não apenas brasileiros, mas também diversas entidades mundo afora. Tendo em vista tudo isso, recentemente, multiplicaram-se no noticiário internacional demonstrações contundentes de preocupação por parte desses órgãos em relação ao Brasil: o recém-lançado “Estudo Global sobre Homicídios – 2011” (http://www.unodc.org/unodc/en/data-and-analysis/statistics/crime/global-study-on-homicide-2011.html), realizado pelo Departamento de Drogas e Crimes da ONU (UNODC) confirma que, dentre as 207 nações pesquisadas, o país apresenta o maior número absoluto de homicídios anuais: 43.909, em 2009 – sendo que já passou de 47.000 em 2011; a Anistia Internacional voltou a denunciar, em seu relatório anual de 2012, a violência e “o abuso policial como um dos problemas mais crônicos do país” (http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2012/05/anistia-internacional-volta-denunciar-violencia-policial-no-pais.html); até o Departamento de Estado Norte-Americano, na sequência, afirmou que “a violência policial mancha os Direitos Humanos no Brasil” (http://m.estadao.com.br/noticias/nacional,abuso-policial-mancha-direitos-humanos-no-brasil-dizem-eua,877472.htm); e, ainda mais recentemente, o Conselho de Direitos Humanos da ONU recomendou explicitamente que o Brasil trate de “combater a atividade dos ‘esquadrões da morte’ e que trabalhe para suprimir a Polícia Militar, acusada de numerosas execuções extrajudiciais” (http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2012/05/30/paises-da-onu-recomendam-fim-da-policia-militar-no-brasil.htm).

Nas últimas semanas, por conta de nova onda de violência policial no estado de São Paulo, voltou-se a falar na opinião pública de algo que nós da Rede Nacional de Familiares e Amigos de Vítimas defendemos há algum tempo: a DESMILITARIZAÇÃO DAS POLÍCIAS BRASILEIRAS. Este foi um dos temas defendidos na Audiência Pública realizada no dia 26/07/2012, em São Paulo, convocada pelo Ministério Público Federal, a Defensoria Pública do Estado de São Paulo, o Condepe-SP, as Mães de Maio, o MNDH e diversos outros movimentos do estado (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20624). Foi também o quê defendeu o professor de filosofia da USP, Vladimir Safatle, em seu texto semanal como articulista no jornal Folha de S. Paulo (http://www1.folha.uol.com.br/colunas/vladimirsafatle/1124692-pela-extincao-da-pm.shtml).

Na madrugada do próprio dia 26 p/ 27/07/2012, uma chacina deixou 6 pessoas mortas na região do Jaçanã, Zona Norte de São Paulo, e diversas cápsulas de uso restrito da polícia foram encontradas nos locais das mortes (http://www.brasildefato.com.br/node/10192). Neste Sábado (28/07/2012), outra trágica notícia para todos nós: os policiais militares do BOPE fizeram mais uma vítima fatal no Rio de Janeiro: a menina Bruna Ribeiro da Silva, de apenas 10 anos, moradora do Morro da Quitanda, atingida por uma bala de fuzil na barriga, dentro de sua própria comunidade (http://oglobo.globo.com/rio/menina-vitima-de-bala-perdida-enterrada-sob-protestos-no-caju-5618236).

ESTE QUADRO DE TERROR COTIDIANO TEM QUE ACABAR!


PELA DESMILITARIZAÇÃO DAS POLÍCIAS EM TODO BRASIL! 

Neste Sábado (28/07/2012), os policiais militares do BOPE fizeram mais uma vítima fatal no Rio de Janeiro: a menina Bruna Ribeiro da Silva, de apenas 10 anos, moradora do Morro da Quitanda, atingida por uma bala de fuzil na barriga, dentro de sua própria comunidade (http://oglobo.globo.com/rio/menina-vitima-de-bala-perdida-enterrada-sob-protestos-no-caju-5618236). 

Na semana passada (dia 19/07/2012), a PM de São Paulo em meio a vários assassinatos já havia tirado a vida do jovem Bruno Vicente de Gouveia e Viana, de apenas 19 anos, que recebeu 25 tiros no carro em que estava com mais 5 amigos, na comunidade do Morro do São Bento, em Santos-SP (http://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2012/07/pm-atira-mais-de-25-vezes-contra-carro-com-jovens-em-santos.html). 

O jovem Bruno e a menina Bruna se juntaram às CENTENAS DE MILHARES de vítimas fatais da violência policial militar no recente período "democrático" brasileiro.

Em homenagem à Bruna e ao Bruno, e a todas as outras vítimas fatais cotidianas das polícias militares em todo país, durante os últimos 30 anos de "democracia", nós das Mães de Maio de SP, junto à Rede de Comunidades e Movimentos Contra Violência do RJ, a Campanha Reaja ou Será Mort@ da BA, a Frente Anti-Prisional das Brigadas Populares de MG, a Associação de Mães, Familiares e Amigos de Vítimas da Violência do Estado no ES, a Rede Dois de Outubro - Pelo Fim dos Massacres, e toda a Rede Nacional de Familiares e Amigos de Vítimas da Violência do Estado temos pedido há alguns anos a DESMILITARIZAÇÃO DAS POLÍCIAS EM TODO O BRASIL.

Vamos tod@s reforças essa ideia! Todas as Brunas e Brunos que compõem a maioria de nossa população, pobre e negra moradora das periferias, merecem cada minuto de nossa luta por Justiça e Paz!

#BRUNA E BRUNO SEGUEM PRESENTES EM NOSSA LUTA!
#PELA DESMILITARIZAÇÃO DAS POLÍCIAS DO BRASIL!
#PAZ NAS PERIFERIAS DE TODO O PAÍS! "


Mães de Maio, Brasil

PETIÇÃO: avaaz.org/po/petition/Desmilitarizacao_das_Policias_do_Brasil