Amor preto & branco

Perdi o apetite da pele negra, da química, da sua voz ecoante
Daquele antigo erotismo embriagado de paixão, canção, daquele amor delirante
Com tons quentes, odores e sabores supremos, extremos, festeiros
Seu colo, suas carícias, sua delicadeza ainda que animalesca ainda sim me causou transcendência
Das noites chuvosas, dignas de enredos pseudo românticos, e o tempo a nos acompanhar
Era meu pecado favorito, meu ópio, meu convite à mais um drinque
Eu sentia a nostalgia da imoralidade, já dizia Machado de Assis.


Mas o dia atormenta, fermenta e nos afugenta, ouvi dizer em fim programado
Quem sabe um belo sonho encantado, reinventado ou apenas encarnado num pesadelo fantasiado, Incrementado, refugiado, quiçá anestesiado com morfina, assim sem dores,  assim sem cicatrizes, sem horrores travestidos de flores.  Oh Meu amor, meu preto, ouça nosso soneto e morramos em nossos desejos secretos!


Projeto social oferece aulas de ginástica artística para a comunidade de Guaianases


CIGA existe há dois anos em Guaianases e atende alunos com a faixa etária dos 04 aos 23 anos

Alunos posam para foto em ensaio para futura competição



A ONG localizada no CEU Jambeiro chama-se CIGA (Centro de Iniciação de Ginástica Artística), é um projeto voluntário idealizado e fundado há dois anos, desde 2011, pelo professor e coordenador Diego Lima (29), ginasta graduado em Educação Física, as aulas acontecem aos finais de semana. Lima também já foi aluno de um projeto social que é bem conhecido na região, (CFC), Centro de Formação e Cultura, serviço assumido pela entidade - Obra Social Dom Bosco. Além dele, atua como professor voluntário, Diogo Vinícius de Oliveira (20), atleta e ginasta, estudante de Educação Física. Ambos além de ginastas, são formados em dança.

O CIGA tem sido fator importante para as crianças e adolescentes da região, seja como lazer ou até mesmo de cunho esportivo. Mas, como diz o Coordenador e fundador, “o intuito além de tirar a juventude do ócio, e/ou até mesmo de uma provável marginalização, faz este público traçar objetivos até mesmo profissionais.”

“Existem três níveis de desenvolvimento, em que são divididos grupos, normalmente por idade e estágio de aprendizado, fazendo com que os jovens assimilem melhor aquilo que estão fazendo, de forma mais dinâmica e eficaz”, afirma Diego Lima, professor e coordenador do curso.

Diego Lima diz que anteriormente dava aula para crianças em um projeto governamental que não estava dando certo, pois havia falta de investimento e aporte, alegando descaso por parte do governo. Foi aí que houve e iniciativa de criar o seu próprio escopo, levando seus alunos para terem aula com ele neste projeto voluntário, em um espaço do CEU. – “A partir daí o número de alunos cresceu e agora são em 60 que fazem aulas comigo e o professor Diogo Vinícius, participando inclusive de competições”, completa.
O professor alega falta de investimento em seu projeto. Embora não seja governamental, o mesmo considera de extrema importância o incentivo em outros esportes que não seja o futebol, como algo prioritário.

No dia 20 de abril houve a posse do novo gestor do CEU Jambeiro, José Guilherme Gianetti, e foi falado sobre a importância do esporte nos CEUs como fator inclusivo para os jovens, e muito da construção dos novos campos de futebol, onde houve a apresentação do grupo de dança do próprio coordenador e professor Diego Lima. Mas, segundo Diego, isto não basta, alega que ainda falta um olhar crítico e abrangente em relação ao esporte. “Será que os nossos jovens só jogam futebol?” diz ele.
Ele acredita que o governo tem esse poder de influenciar nessas questões, na melhoria do esporte, mas também na piora dele. “Temos o governo incentivando o esporte? Temos, mas são incentivos aonde não precisam tanto, por exemplo, vamos incentivar a seleção brasileira! Porém a seleção de futebol já está encaminhada”, afirma o coordenador.

Ele ainda considera que se deve aumentar não só o investimento, mas também o patrocínio nesses esportes olímpicos, pois estamos próximos de sediar as Olimpíadas em 2016 e não se tem dado importância a isso, ele considera que temos bons atletas que têm condições de chegar até lá.

“Eu vejo aqui, muitos alunos qualificados, eu penso que daqui poderia sair uma Daiane dos Santos! Mas como a categoria de base vai chegar no profissional, se não temos este investimento? ”

Uma mãe de aluna nos conta que conheceu o projeto e que notou mudanças em sua filha após começar a fazer as aulas de Ginástica Artística. “Eu fiquei sabendo pelo site do CEU, aí eu vim aqui, conversei com o professor que me pediu para conhecer. Eu percebi ao longo do tempo, que ela melhorou demais o comportamento e a postura, além da ansiedade; porque é muito agitada e ficava muito em casa. Aqui ela aprendeu muita coisa, adora fazer ginástica artística, foi além do que eu esperava.”




Maria Carolina F. Dutra

Número de denúncias de violência contra as mulheres diminui

Relatos de agressões reduzem, porém não demonstram a realidade das mulheres da região



A violência tem se tornado cada dia mais comum na cidade de São Paulo. Com um dos piores IDH’s (Índice de Desenvolvimento Humano) da capital paulista, o bairro tem sofrido com os abusos de modo corriqueiro e crescente, porém os números de denúncias e de agressões diminuem.

Apesar do estado de São Paulo estar bem qualificado no âmbito nacional das pesquisas e o bairro de Guaianases ser um dos bairros com menor índice de denúncias de agressões, isto não corresponde à realidade dos fatos. Os eventos de agressão e violência contra mulheres, principalmente as conjugais, não são delatadas por existirem vários fatores externos que não permitem às agredidas de se sentirem à vontade ou seguras para que denunciem os agressores.

Com isso, a própria população local fundou o Núcleo de Defesa e  Convivência da Mulher, fundado em 2004, após a morte da moradora Viviane dos Santos, assassinada pelo marido. A coordenadora do centro, Thathiane Goghi Ladeir, explica as atribuições do mesmo: “Oferecemos oficinas para fortalecimento da auto-estima, geração de renda e promovemos ações educativas que visam a combater preconceitos que legitimam a violência contra a mulher”.

Maria Aparecida*(48) beneficiada e usuária dos serviços prestados pelo centro, crê que o número de mulheres agredidas é bem mais alto do que as estatísticas mostram: “Nós não sentimos confiança nas autoridades e nem mesmo em instituições religiosas que não podem nos garantir a segurança de não sermos agredidas, as meninas que estão aqui são “guerreiras” em enfrentar a família e a própria comunidade”.

Pesquisas feitas pela ONU mostraram que, em todo mundo, cerca de uma em cada três mulheres já sofreram algum tipo de violência (conjugal, sexual, física e psicológica). Os dados no Brasil mostram que, em trinta anos, o número de homicídios aumentou cerca de 217,6%, chegando a 4,1 homicídios para 100 mil mulheres brasileir

Com a criação da Lei Maria da Penha em 2007, o número de casos chegou a diminuir, mas após um ano voltou ao mesmo número médio. O advogado Wagner Eduardo (37) acredita que a lei não é suficiente para que a situação venha a se resolver: “A norma não é o único elemento capaz de regular uma situação ou evento, outros fatores éticos, morais e religiosos  contribuem para a pacificação social. Não necessariamente, mas predominantemente, a consecução deste contexto necessita e reflete um mínimo de provimento de necessidades sociais básicas”.

*Nome fictício.


Marcos Flavio Prado de Lima
200801950
Jornalismo 2ºB – d1


Guaianases em Foco

Efêmera Vadia!

Passo cada passo
Do estrago que foi feito do meu parto
Sangra-me vasto, amor escasso
Corpo violado, alma estuprada
Moro na pátria amada, de homens vis
Infelizes seres de esplêndidas almas hostis
Não sou da pátria, nem da mátria, eu quero viver na frátria

Da costela de adão, fui rejeição
Fada rosa com varinha de condão
Não quero ser não !

Pastor João me disse que mulher é pecado e perdição
Eu digo não, sua maldição faz-me forte
Sou Frida Kahlo de pele negra e corpo cheios de corte
Sou Joana Darc e Beth Lobo
Não é supresa sua mal querência
Pra viver, faço-me de fogo
Pra este jogo de pandemônios
Não faço coro, só vejo choros
Sou Cora Coralina, sou rainha e sou vadia.


ANÁLISE - CQC x Kultur


O CQC (Custe o Que Custar) é um programa humorístico que teve sua origem na Argentina, criado pelo jornalista Mário Pergolini, que teve como objetivo ironizar e denunciar fatos políticos e celebridades locais. O CQC existe no Brasil desde 2008, e passa todas as segundas feiras, às 22h30 na rede Bandeirantes de Televisão.  O programa é liderado por Marcelo Taz, que compõe a bancada junto com Oscar Filho e Marco Luque, os integrantes do grupo são conhecidos também como os “Homens de Preto”.
O programa a princípio era de cunho humorístico, e de fato não perdeu este foco, porém ainda cabe à ele outro gênero, o humorístico/jornalístico, como têm sido definido, principalmente pelo fator do infotenimento, palavra que se origina da junção das palavras “informação” e “entretenimento”, celebrando a cada vez mais recorrente utilização concomitante de diversão e notícia no texto jornalístico. O que causa divergências entre jornalistas e teóricos, pelo modo de que as informações são dadas ao público, com muita criticidade, mesmo que ainda muito popularesca, mas sem critérios e em grande parte, sem neutralidade, o que para muitos é o cerne do jornalismo idôneo, o que gera uma discussão interminável.
A partir daí, análise do CQC em relação a Kultur fica mais fácil, já que este programa se baseia na cultura de onde é sediada, no caso, o CQC do Brasil. Então há de termos o conceito de Kultur constatado neste programa, pois como dito antes, o foco é a informação como forma de sátira/ironia para denunciar e noticiar fatos regionais e nacionais.
Existe uma linha tênue entre Kultur e Civilization no programa analisado, quando se faz a comparação entre o que seria o ideal de cultura que daí simboliza o conceito francês sobre “civilização”, mas aborda bastante a contrapartida, que seria o conceito alemão Kultur, quando aborda opinativamente em comentários ou mesmo em reportagens de eventos ou acontecimentos tipicamente brasileiros, como shows de axé, futebol e inclusive o funk, embora o último aspecto que já é considerado patrimônio cultural nosso, seja retratado de forma mais pejorativa em alguns momentos do programa, realizando sátiras, mas também de forma enaltecedora, o que leva novamente a dois extremos do conceito de cultura, ou seja, atende públicos alvos aparentemente distantes. Há quadros do CQC que tentam expressar ou mostrar, por exemplo, o tipo de atitude que o brasileiro tem, mesmo que exprima erroneamente ou de certa forma preconceituosamente e inclusive culturalmente o rótulo que os brasileiros têm lá fora, até aderindo de certa forma ao determinismo, o que cria até um paradoxo entre ambos conceitos.
Um quadro que poderia exemplificar o que foi dito no parágrafo anterior é o Teste de Honestidade, quadro esse que não faz mais parte do programa. Mas quando ainda era televisionado pelo programa, consistia em testar a honestidade das pessoas, criando situações armadas para checar o caráter do brasileiro, trazendo novamente a tona a imagem do “brasileiro malandro”, característica que o próprio cidadão brasileiro adere à sua cultura. E ainda neste programa podemos exemplificar o quadro Proteste Já, CQC no Congresso e o Top Five.
·                                   é o quadro que segundo Marcelo Taz é um dos que mais dão audiência, depois de Top Five.

E que leva a este resultado é vontade da população em geral de tomar ou se empoderar de seus direitos. O cerne do quadro é denunciar problemas de âmbito regional, que não foram resolvidos pelos órgãos públicos responsáveis. Que faz levar o programa até o local para entrar em contato e fazer lobby aos responsáveis para que estes problemas sejam sanados. O que nos remete ao “Quarto poder”, que ultimamente tem se aderido à cultura de alguns países do ocidente, como por exemplo, o EUA.

Análise - Jornal Agora


É evidente que na matéria do jornal “Agora”, o fato do acidente com o ciclista David Santos Sousa tenha focado na questão penal, não de forma necessariamente tendenciosa, mas mostrando ao leitor como têm ocorrido os fechamentos de crimes de trânsito e torna-se explícito a falha da Lei Seca por exemplo. Também percebe-se isso na própria manchete que é bem sugestiva, principalmente pelo fato de a palavra” Liberta” estar destacada. O jornal ‘Agora’, embora tenha um histórico de sensacionalismo, principalmente em notícias como essas, com ‘pegada’ policial, tem se adequado em alguns aspectos, e acredito ainda que nesse aspecto o jornal não perdeu essa característica de dar ênfase a notícias como essa; mas com a remodelagem de diversos jornais impressos, foi preciso que se noticiasse um fato como esse de forma mais idônea. Na matéria, há falas do advogado do ciclista e também do desembargador, ambos com pensamentos contrários, o que torna a notícia mais estimulante de ser lida e nos faz construir um próprio pensamento do que está se noticiando.

 • Advogado de Ciclista diz: “[...] a lei é muito branda para os crimes de trânsito e culposos”.

 • Desembargador Breno Guimarães diz na decisão que jovem não é criminoso e sua soltura não traz “risco à ordem pública”, alegando também que “a forma como se deram os fatos indica tratar-se de fato isolado.”