A periferia grita!
A periferia grita
Entre becos e esquinas
A favela rima, cria e recria
Na tal cidade cosmopolita
E o povo à gritar
Recitar, cantar, à acreditar ...
Na escrita, na fala, no grafite
A arte da rua denuncia a falcatrua
A podridão nua e crua
almejando a cura
Sobreviver está no sangue
No morro, eu morro
Nos compelem
A gente expele e repele
Tá no sangue, na cor da pele
Negritude, atitude, juventude
Negação, NegrAÇÃO, deNEGRIr?
Querem excluir nos ferir, inquerir
Querem nos furtar a cor, a raça
Inquisição da desgraça
Essa polícia que nos mata
São vários manos, vários desenganos
A favela é forte, mas tem passaporte pra morte
Então não cale, não fuja, grite se tiver sorte!
Carta em apoio à Marcha das Vadias-RJ
Por meio
desta carta manifestamos nosso apoio à Marcha das Vadias do RJ, denunciando as
violentas retaliações que culminam em ameaças de morte, que as militantes
Rogéria Peixinho, Danielle Miranda e Nataraj Trinta têm sofrido. Colocamos aqui
também, nosso repúdio às grandes mídias, principalmente às televisivas, que não
se dão ao trabalho de noticiar violências como esta. Mas que em contrapartida,
veiculam massivamente “notícias” relacionadas a JMJ e ao Papa, de forma
tendenciosa e que vai contra aos princípios de neutralidade jornalística, em
que simultaneamente demonizam o movimento feminista, como o fato que ocorreu no
dia 27 de julho.
Sabemos,
também, que as performances com objetos religiosos, não foram organizadas pela
Marcha das Vadias – RJ, já que o protesto é um ato de cunho libertário, e logo
aberto a quem se identifique à causa, ou seja, usaram desta ação independente
para deslegitimar a marcha, que em sua ideologia, não prega de forma alguma a
intolerância religiosa, inclusive, sabemos que a Marcha tem apoio das Católicas
pelo Direito de Decidir, “organização não governamental feminista. Busca a
justiça social, o diálogo inter-religioso e a mudança dos padrões culturais e
religiosos que cerceiam a autonomia e a liberdade das mulheres, especialmente
no exercício da sexualidade e da reprodução.”
Enquanto Promotoras Legais
Populares, ratificamos nosso compromisso com a liberdade de expressão
artística, religiosa, de consciência, de pensamento, de crítica, de vestimenta,
e todas as liberdades civis individuais e coletivas garantidas pela
Constituição Cidadã de 1988, e é por isso, a luta do movimento feminista, em
prol de uma igualdade efetiva de direitos entre homens e mulheres, porque um
movimento como a Marcha das Vadias é de extrema importância para a
desconstrução de uma ideologia patriarcal e sexista. Tal ação de extrema
intolerância, velada pela grande imprensa, nada mais é, do que o resultado de
uma sociedade misógina e machista, e é por isso que marchamos e
marcharemos!
Promotoras
Legais Populares de São Paulo
_____________________________________
Sobre a Marcha das Vadias/Rj e pressão religiosa
Não acho que um símbolo católico, que só tem significado para tal religião ser quebrado por pessoas que não creem naquilo seja desrespeito ou intolerância, a marcha estava acontecendo em um local público, a rua, e esses símbolos ao menos estavam dentro de um centro religioso. Porque se for pra deslegitimar o protesto e a marcha, vamos também deslegitimar por exemplo, a religião evangélica que tem ...ido ás ruas atualmente, com marchas intituladas "A favor da família", com pautas ao meu ver, intolerantes (quem quiser pode pesquisar pra confirmar que não estou errada), que na boa não levam em conta nenhum direito humano, que renegam qualquer pessoa esteja fora dos padrões institucionais evangélicos, que em pura arrogância querem por que querem tornar a homossexualidade doença.
Intolerância religiosa só se dá quando sua "FÉ" impõe valores religiosos, que agora viraram SENSO COMUM, e afeta negativamente a vida de outras pessoas, por exemplo, quando de instaura a homofobia, usando argumentos do tipo: " homossexualidade é do diabo, não vão pro céu", ou até mesmo quando limita a liberdade da mulher ao seu corpo, quando se condena de forma tão voraz o aborto de um feto de 12ª semana de gestação, que não tem nem atividade cerebral,
devido a um sistema ainda muito primitivo para tal função. Quando se profere um absurdo desses dentro de uma instituição religiosa, já é foda p/ caralho, porque já cria uma puta de uma segregação, excluindo aqueles que poderiam e gostariam de frequentar a igreja e religião da forma que melhor se sentir. Agora estender esses valores à um Estado "laico", já é patifaria das brabas!Intolerância religiosa só se dá quando sua "FÉ" impõe valores religiosos, que agora viraram SENSO COMUM, e afeta negativamente a vida de outras pessoas, por exemplo, quando de instaura a homofobia, usando argumentos do tipo: " homossexualidade é do diabo, não vão pro céu", ou até mesmo quando limita a liberdade da mulher ao seu corpo, quando se condena de forma tão voraz o aborto de um feto de 12ª semana de gestação, que não tem nem atividade cerebral,
E outra, preciso dizer para aqueles que acreditam veemente que com esta Marcha tão "desrespeitosa" o Movimento se enfraquecerá e sofrerá repúdio da mídia em geral. Caros, não sejamos ingênuos, desde quando a mídia foi a favor do feminismo e das reivindicações que temos? Ainda mais uma Globo da vida, que me pareceu ter fechado um contrato com o santíssimo Papa.
Eu participo da Marchas das Vadias de Sp, e nunca vi uma notinha se quer sobre o ato, mas é claro que esses jornais 'laicos', 'neutros' e blabla wikasashê não poderiam de forma alguma deixar de noticiar em primeira mão algo como este, afinal estava acontecendo a JMJ e nada poderia atrapalhar um evento tão lindo, cerimonioso e cristão como esse não é?
Intolerância religiosa é difamar outras religiões, principalmente as de vertentes africanas em programas televisivos, criando estereótipos preconceituosos, quando usa-se a palavra MACUMBA, de forma totalmente errônea e satirizada, em prol do "HUMOR". Já coloco aqui o nome de uns dos N programas que ridicularizam estas religiões, como por exemplo o Zorra Total, que de fato é uma zorra, que põe o pobre, o negro, o gay algumas religiões, desde a criação de seu programa, pra lá da linha da marginalização, exclusão e etc ...
Então eu digo: Abaixo a repressão religiosa e nos deixei livres para que possamos protestar. O respeito deve imperar em todas as partes!
Feminismo para quê?
Então para quer serve o feminismo mesmo? Ao contrário do que acham os
machistas, o movimento não é uma guerra declarada aos homens, mas sim um nítido
grito por igualdade, que se estende em forma de luta, protesto e muitas protagonistas
fazendo política. Me perdoem aqueles e aquelas que sabem o que é ser feminista,
mas é que ouço tantas definições torpes e preconceituosas por aí que achei
super, mega necessário pô-la aqui.
Ser feminista antes de tudo é
resgatar e lutar para garantir nossos direitos, que têm sido negados e
rechaçados a anos, foi por este movimento que existe desde que o mundo é mundo,
que conquistamos vários direitos até então, mesmo com a dificuldade e todo
machismo institucional existente.
Logo, o movimento é extremamente legítimo e louvável, embora AINDA seja
bem difícil ser feminista nos dias de hoje, me parece que, quando nos intitulamos
feministas, já recai olhares às vezes raivosos ou debochados, como se fosse
patético mulheres fazerem parte de um movimento que requer fazer política. E
esses olhares vêm até mesmo do próprio partido da qual uma militante partidária
é filiada e/ou parlamentar, mas o machismo está impregnado em diversos aspectos
de nossa sociedade patriarcal. Do assédio que muitos alegam ser ‘elogios’,
quando, por exemplo, nos chamam de gostosas nos coisificando a uma simples
carne e por sina da barata; até mesmo à privação de liberdade ao nosso corpo, inferiorização
do trabalho da mulher, projetando em nós padrões físicos, morais e/ou intelectuais,
nos privando até mesmo de nossa sexualidade, o que nos faz ouvir com muita frequência
frases decadentes do tipo: “ Se não for
assim, não é mulher que preste!”, e por fim ao nosso GENOCÍDIO, que em sua
grande maioria começa em casa, pelos ditos maridos; daí se dá a violência
doméstica, que é crime. - planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11340.htm
– Lei Maria da Penha.
Ouço por algumas pessoas também o
seguinte clichê: “Todo homem é machista, nossa sociedade é machista, nasceu com
pênis já era, é inevitável não ser, fomos criados assim, um homem que diz não
ser machista é hipócrita.” Ai senhor, meu ouvidos doem, mas beleza, vamos
esclarecer as coisas. Primeiro, que você, pessoa que diz uma coisa dessas, de
certo é leviano para dizer algo assim, vivermos numa sociedade patriarcal não é
justificativa para o seu machismo querido(a).Segundo que estudar é bom, para
desconstruir essa estrutura que afeta o mundo todo, sabe quando dizem, “a educação
é a base de tudo”? Pois é, a afirmação é verdadeira; participe de debates, leia
livros sobre a questão, analise; não saia julgando tudo, se achando o dono do
saber, aliás este é um grande problema dos preconceituosos em geral, são arrogantes
demais para se perceberem. Então vos digo, o pior ignorante é aquele que se
acomoda em sua ignorância intrínseca e a usa para proferir inverdades.
Coloco em pauta também a
criminalização do aborto, voltando ao ponto x, que nos põem novamente na figura
de um ser procriador apenas. É óbvio que qualquer mulher em sã consciência não
quer fazer o aborto, por N motivos, principalmente pela complicação e risco de
fazê-lo. A questão não é aceitar, ser a favor ou contra o aborto, mas sim não
criminalizá-lo, por em pauta a legalização do mesmo. Já que é de conhecimento
de todos, e se não for, cá estou para informa-lhes, que um feto até a 12ª
semana de gestação não tem atividade cerebral por ser portador de um sistema
ainda extremamente primitivo para tal função.
Está aí um profissional idôneo e
reconhecido, que pode ajudá-los a refletir sobre a legalização: “Não há
princípios morais ou filosóficos que justifiquem o sofrimento e morte de tantas
meninas e mães de famílias de baixa renda no Brasil. É fácil proibir o
abortamento, enquanto esperamos o consenso de todos os brasileiros a respeito
do instante em que a alma se instala num agrupamento de células embrionárias,
quando quem está morrendo são as filhas dos outros. Os legisladores precisam
abandonar a imobilidade e encarar o aborto como um problema grave de saúde
pública, que exige solução urgente.”, Drauzio Varella.
Ou seja, o que nos resta é nos empoderar de nossos direitos e fazer com
que se concretizem, através de pressão, protestos e etc. Só fazendo muita
política é que atingiremos nossos objetivos, que deveriam ser vistos como
simplórios e HUMANOS, já que o corpo de cada mulher, pertence pura e
simplesmente à ela.
Espero ter colocado, mesmo que de
forma resumida, o que considero ser feminista e como isso é para mim. Ser
feminista é quebrar tabus e preconceitos, mas antes de tudo, é lutar pela
equidade de direitos entre homens e mulheres. Entendeu agora o porque do
movimento? Então para fechar a discussão: Sou feminista baby, e isso é intrínseco
a mim, desde que nasci ;)
“Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a
liberdade seja a nossa própria substância.” Simone de
Beauvoir
Desmilitarização das Polícias do Brasil
"A Constituição Federal Brasileira de 1988, prestes a completar seu primeiro quarto de século, é obrigada a conviver com uma série de fracassos sobre diversos pontos de seu texto magno. Muitos dos direitos humanos por ela assegurados, a começar pelo direito à vida e à liberdade de ir e vir, continuam sendo cotidianamente violados.
Dentre esses problemas, um dos principais entulhos do período Escravocrata e, mais recentemente, da Ditadura Civil-Militar, é a violência sistemática de agentes do estado contra a nossa própria população. A violência policial é hoje, certamente, um dos principais problemas a serem enfrentados pelo Brasil no que tange à defesa dos direitos humanos em nossa sociedade. A persistência da tortura nas abordagens cotidianas e nas delegacias policiais, como “técnica” de “investigação” por parte dessas instituições, mesmo pós-ditadura; o encarceramento massivo de pessoas (o Brasil atualmente ocupa a 4ª posição mundial, com mais de 520.000 pessoas em privação de liberdade); e, principalmente, as execuções extrajudiciais cometidas sistematicamente por agentes do estado, conformam um quadro preocupante em relação à
segurança pública e à garantia da cidadania básica para a grande maioria da população.
É dentre os vários aspectos desse problema que as execuções sumárias cometidas por grupos de policiais militares ou paramilitares de extermínio configuram, por certo, a dimensão mais brutal. Não foi outra a conclusão do mais recente Mapa da Violência (2012), coordenado pelo professor Júlio Jacobo Waiselfisz e divulgado no início do ano pelo Ministério da Justiça (http://mapadaviolencia.org.br/PDF/Mapa2012_Tra.pdf), o qual procurou investigar “os novos padrões da violência homicida no Brasil”: ao longo dos últimos 30 anos, mais de 1 Milhão de pessoas foram assassinadas no país. Neste período histórico ironicamente concomitante à redemocratização brasileira, houve um aumento de 127% no número de homicídios anuais no território nacional – dos quais a imensa maioria das vítimas é composta por jovens pobres e negros, conforme demonstram as diversas estatísticas correlacionadas no estudo. Verdadeiros números de guerra.
Um cenário que tem preocupado crescentemente a opinião pública e diversos órgãos especializados em Direitos Humanos não apenas brasileiros, mas também diversas entidades mundo afora. Tendo em vista tudo isso, recentemente, multiplicaram-se no noticiário internacional demonstrações contundentes de preocupação por parte desses órgãos em relação ao Brasil: o recém-lançado “Estudo Global sobre Homicídios – 2011” (http://www.unodc.org/unodc/en/data-and-analysis/statistics/crime/global-study-on-homicide-2011.html), realizado pelo Departamento de Drogas e Crimes da ONU (UNODC) confirma que, dentre as 207 nações pesquisadas, o país apresenta o maior número absoluto de homicídios anuais: 43.909, em 2009 – sendo que já passou de 47.000 em 2011; a Anistia Internacional voltou a denunciar, em seu relatório anual de 2012, a violência e “o abuso policial como um dos problemas mais crônicos do país” (http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2012/05/anistia-internacional-volta-denunciar-violencia-policial-no-pais.html); até o Departamento de Estado Norte-Americano, na sequência, afirmou que “a violência policial mancha os Direitos Humanos no Brasil” (http://m.estadao.com.br/noticias/nacional,abuso-policial-mancha-direitos-humanos-no-brasil-dizem-eua,877472.htm); e, ainda mais recentemente, o Conselho de Direitos Humanos da ONU recomendou explicitamente que o Brasil trate de “combater a atividade dos ‘esquadrões da morte’ e que trabalhe para suprimir a Polícia Militar, acusada de numerosas execuções extrajudiciais” (http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2012/05/30/paises-da-onu-recomendam-fim-da-policia-militar-no-brasil.htm).
Nas últimas semanas, por conta de nova onda de violência policial no estado de São Paulo, voltou-se a falar na opinião pública de algo que nós da Rede Nacional de Familiares e Amigos de Vítimas defendemos há algum tempo: a DESMILITARIZAÇÃO DAS POLÍCIAS BRASILEIRAS. Este foi um dos temas defendidos na Audiência Pública realizada no dia 26/07/2012, em São Paulo, convocada pelo Ministério Público Federal, a Defensoria Pública do Estado de São Paulo, o Condepe-SP, as Mães de Maio, o MNDH e diversos outros movimentos do estado (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20624). Foi também o quê defendeu o professor de filosofia da USP, Vladimir Safatle, em seu texto semanal como articulista no jornal Folha de S. Paulo (http://www1.folha.uol.com.br/colunas/vladimirsafatle/1124692-pela-extincao-da-pm.shtml).
Na madrugada do próprio dia 26 p/ 27/07/2012, uma chacina deixou 6 pessoas mortas na região do Jaçanã, Zona Norte de São Paulo, e diversas cápsulas de uso restrito da polícia foram encontradas nos locais das mortes (http://www.brasildefato.com.br/node/10192). Neste Sábado (28/07/2012), outra trágica notícia para todos nós: os policiais militares do BOPE fizeram mais uma vítima fatal no Rio de Janeiro: a menina Bruna Ribeiro da Silva, de apenas 10 anos, moradora do Morro da Quitanda, atingida por uma bala de fuzil na barriga, dentro de sua própria comunidade (http://oglobo.globo.com/rio/menina-vitima-de-bala-perdida-enterrada-sob-protestos-no-caju-5618236).
ESTE QUADRO DE TERROR COTIDIANO TEM QUE ACABAR!
PELA DESMILITARIZAÇÃO DAS POLÍCIAS EM TODO BRASIL!
Neste Sábado (28/07/2012), os policiais militares do BOPE fizeram mais uma vítima fatal no Rio de Janeiro: a menina Bruna Ribeiro da Silva, de apenas 10 anos, moradora do Morro da Quitanda, atingida por uma bala de fuzil na barriga, dentro de sua própria comunidade (http://oglobo.globo.com/rio/menina-vitima-de-bala-perdida-enterrada-sob-protestos-no-caju-5618236).
Na semana passada (dia 19/07/2012), a PM de São Paulo em meio a vários assassinatos já havia tirado a vida do jovem Bruno Vicente de Gouveia e Viana, de apenas 19 anos, que recebeu 25 tiros no carro em que estava com mais 5 amigos, na comunidade do Morro do São Bento, em Santos-SP (http://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2012/07/pm-atira-mais-de-25-vezes-contra-carro-com-jovens-em-santos.html).
O jovem Bruno e a menina Bruna se juntaram às CENTENAS DE MILHARES de vítimas fatais da violência policial militar no recente período "democrático" brasileiro.
Em homenagem à Bruna e ao Bruno, e a todas as outras vítimas fatais cotidianas das polícias militares em todo país, durante os últimos 30 anos de "democracia", nós das Mães de Maio de SP, junto à Rede de Comunidades e Movimentos Contra Violência do RJ, a Campanha Reaja ou Será Mort@ da BA, a Frente Anti-Prisional das Brigadas Populares de MG, a Associação de Mães, Familiares e Amigos de Vítimas da Violência do Estado no ES, a Rede Dois de Outubro - Pelo Fim dos Massacres, e toda a Rede Nacional de Familiares e Amigos de Vítimas da Violência do Estado temos pedido há alguns anos a DESMILITARIZAÇÃO DAS POLÍCIAS EM TODO O BRASIL.
Vamos tod@s reforças essa ideia! Todas as Brunas e Brunos que compõem a maioria de nossa população, pobre e negra moradora das periferias, merecem cada minuto de nossa luta por Justiça e Paz!
#BRUNA E BRUNO SEGUEM PRESENTES EM NOSSA LUTA!
#PELA DESMILITARIZAÇÃO DAS POLÍCIAS DO BRASIL!
#PAZ NAS PERIFERIAS DE TODO O PAÍS! "
Mães de Maio, Brasil
PETIÇÃO: avaaz.org/po/petition/Desmilitarizacao_das_Policias_do_Brasil
Dentre esses problemas, um dos principais entulhos do período Escravocrata e, mais recentemente, da Ditadura Civil-Militar, é a violência sistemática de agentes do estado contra a nossa própria população. A violência policial é hoje, certamente, um dos principais problemas a serem enfrentados pelo Brasil no que tange à defesa dos direitos humanos em nossa sociedade. A persistência da tortura nas abordagens cotidianas e nas delegacias policiais, como “técnica” de “investigação” por parte dessas instituições, mesmo pós-ditadura; o encarceramento massivo de pessoas (o Brasil atualmente ocupa a 4ª posição mundial, com mais de 520.000 pessoas em privação de liberdade); e, principalmente, as execuções extrajudiciais cometidas sistematicamente por agentes do estado, conformam um quadro preocupante em relação à
segurança pública e à garantia da cidadania básica para a grande maioria da população.
É dentre os vários aspectos desse problema que as execuções sumárias cometidas por grupos de policiais militares ou paramilitares de extermínio configuram, por certo, a dimensão mais brutal. Não foi outra a conclusão do mais recente Mapa da Violência (2012), coordenado pelo professor Júlio Jacobo Waiselfisz e divulgado no início do ano pelo Ministério da Justiça (http://mapadaviolencia.org.br/PDF/Mapa2012_Tra.pdf), o qual procurou investigar “os novos padrões da violência homicida no Brasil”: ao longo dos últimos 30 anos, mais de 1 Milhão de pessoas foram assassinadas no país. Neste período histórico ironicamente concomitante à redemocratização brasileira, houve um aumento de 127% no número de homicídios anuais no território nacional – dos quais a imensa maioria das vítimas é composta por jovens pobres e negros, conforme demonstram as diversas estatísticas correlacionadas no estudo. Verdadeiros números de guerra.
Um cenário que tem preocupado crescentemente a opinião pública e diversos órgãos especializados em Direitos Humanos não apenas brasileiros, mas também diversas entidades mundo afora. Tendo em vista tudo isso, recentemente, multiplicaram-se no noticiário internacional demonstrações contundentes de preocupação por parte desses órgãos em relação ao Brasil: o recém-lançado “Estudo Global sobre Homicídios – 2011” (http://www.unodc.org/unodc/en/data-and-analysis/statistics/crime/global-study-on-homicide-2011.html), realizado pelo Departamento de Drogas e Crimes da ONU (UNODC) confirma que, dentre as 207 nações pesquisadas, o país apresenta o maior número absoluto de homicídios anuais: 43.909, em 2009 – sendo que já passou de 47.000 em 2011; a Anistia Internacional voltou a denunciar, em seu relatório anual de 2012, a violência e “o abuso policial como um dos problemas mais crônicos do país” (http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2012/05/anistia-internacional-volta-denunciar-violencia-policial-no-pais.html); até o Departamento de Estado Norte-Americano, na sequência, afirmou que “a violência policial mancha os Direitos Humanos no Brasil” (http://m.estadao.com.br/noticias/nacional,abuso-policial-mancha-direitos-humanos-no-brasil-dizem-eua,877472.htm); e, ainda mais recentemente, o Conselho de Direitos Humanos da ONU recomendou explicitamente que o Brasil trate de “combater a atividade dos ‘esquadrões da morte’ e que trabalhe para suprimir a Polícia Militar, acusada de numerosas execuções extrajudiciais” (http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2012/05/30/paises-da-onu-recomendam-fim-da-policia-militar-no-brasil.htm).
Nas últimas semanas, por conta de nova onda de violência policial no estado de São Paulo, voltou-se a falar na opinião pública de algo que nós da Rede Nacional de Familiares e Amigos de Vítimas defendemos há algum tempo: a DESMILITARIZAÇÃO DAS POLÍCIAS BRASILEIRAS. Este foi um dos temas defendidos na Audiência Pública realizada no dia 26/07/2012, em São Paulo, convocada pelo Ministério Público Federal, a Defensoria Pública do Estado de São Paulo, o Condepe-SP, as Mães de Maio, o MNDH e diversos outros movimentos do estado (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20624). Foi também o quê defendeu o professor de filosofia da USP, Vladimir Safatle, em seu texto semanal como articulista no jornal Folha de S. Paulo (http://www1.folha.uol.com.br/colunas/vladimirsafatle/1124692-pela-extincao-da-pm.shtml).
Na madrugada do próprio dia 26 p/ 27/07/2012, uma chacina deixou 6 pessoas mortas na região do Jaçanã, Zona Norte de São Paulo, e diversas cápsulas de uso restrito da polícia foram encontradas nos locais das mortes (http://www.brasildefato.com.br/node/10192). Neste Sábado (28/07/2012), outra trágica notícia para todos nós: os policiais militares do BOPE fizeram mais uma vítima fatal no Rio de Janeiro: a menina Bruna Ribeiro da Silva, de apenas 10 anos, moradora do Morro da Quitanda, atingida por uma bala de fuzil na barriga, dentro de sua própria comunidade (http://oglobo.globo.com/rio/menina-vitima-de-bala-perdida-enterrada-sob-protestos-no-caju-5618236).
ESTE QUADRO DE TERROR COTIDIANO TEM QUE ACABAR!
PELA DESMILITARIZAÇÃO DAS POLÍCIAS EM TODO BRASIL!
Neste Sábado (28/07/2012), os policiais militares do BOPE fizeram mais uma vítima fatal no Rio de Janeiro: a menina Bruna Ribeiro da Silva, de apenas 10 anos, moradora do Morro da Quitanda, atingida por uma bala de fuzil na barriga, dentro de sua própria comunidade (http://oglobo.globo.com/rio/menina-vitima-de-bala-perdida-enterrada-sob-protestos-no-caju-5618236).
Na semana passada (dia 19/07/2012), a PM de São Paulo em meio a vários assassinatos já havia tirado a vida do jovem Bruno Vicente de Gouveia e Viana, de apenas 19 anos, que recebeu 25 tiros no carro em que estava com mais 5 amigos, na comunidade do Morro do São Bento, em Santos-SP (http://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2012/07/pm-atira-mais-de-25-vezes-contra-carro-com-jovens-em-santos.html).
O jovem Bruno e a menina Bruna se juntaram às CENTENAS DE MILHARES de vítimas fatais da violência policial militar no recente período "democrático" brasileiro.
Em homenagem à Bruna e ao Bruno, e a todas as outras vítimas fatais cotidianas das polícias militares em todo país, durante os últimos 30 anos de "democracia", nós das Mães de Maio de SP, junto à Rede de Comunidades e Movimentos Contra Violência do RJ, a Campanha Reaja ou Será Mort@ da BA, a Frente Anti-Prisional das Brigadas Populares de MG, a Associação de Mães, Familiares e Amigos de Vítimas da Violência do Estado no ES, a Rede Dois de Outubro - Pelo Fim dos Massacres, e toda a Rede Nacional de Familiares e Amigos de Vítimas da Violência do Estado temos pedido há alguns anos a DESMILITARIZAÇÃO DAS POLÍCIAS EM TODO O BRASIL.
Vamos tod@s reforças essa ideia! Todas as Brunas e Brunos que compõem a maioria de nossa população, pobre e negra moradora das periferias, merecem cada minuto de nossa luta por Justiça e Paz!
#BRUNA E BRUNO SEGUEM PRESENTES EM NOSSA LUTA!
#PELA DESMILITARIZAÇÃO DAS POLÍCIAS DO BRASIL!
#PAZ NAS PERIFERIAS DE TODO O PAÍS! "
Mães de Maio, Brasil
PETIÇÃO: avaaz.org/po/petition/Desmilitarizacao_das_Policias_do_Brasil
MESA DE DEBATE NO CCJ: MILITÂNCIA FEMINISTA NEGRA CONTEMPORÂNEA
A socióloga Flavia Rios e a antropóloga Jaqueline Lima Santos irão apresentar um panorama e analisar a movimentação feminista negra nos dias atuais. Flavia Rios é doutoranda em Sociologia e seu campo temático engloba os movimentos sociais, políticas públicas e as relações raciais e de gênero. Jaqueline Lima Santos é doutoranda em Antropologia Social pela UNICAMP, assessora do programa “Diversidade, Raça e Participação” da ONG Ação Educativa e ativista do movimento negro. Seus temas de interesse são: educação, relações étnico-raciais, raça, gênero e juventude.
Dia 27/07, sábado, 17h. Espaço Sarau.
Livre para todos os públicos.
http://ccjuve.prefeitura.sp.gov.br/2013/07/04/mesa-de-debate-militancia-feminista-negra-contemporanea/
http://ccjuve.prefeitura.sp.gov.br/2013/07/04/mesa-de-debate-militancia-feminista-negra-contemporanea/
Eduardo Mascarenhas, citado por Saffioti em O poder do macho, 1985.
"Desconfio que, se acaso existe alguma inclinação heterossexual de nascença, ela é tão fraca que pode perfeitamente se apagar, conforme as experiências de cada um. Tanto é assim que a sociedade constitui uma das maiores companhas publicitárias de que se tem notícia contra a homossexualidade. Se computássemos o quanto de esforço a humanidade vem despendendo para demonstrar que ser heterossexual é que é bom, enquanto ser homossexual não é, e transformássemos essa venda de imagem, no último milênio, em dólares, a quantia daria folgadamente para pagar dez vezes a dívida externa do Brasil e ainda sobraria dinheiro para fazermos desse país uma das maiores superpotências de que se tem notícia!
Ora, se a heterossexualidade fosse tão natural e determinada pelo instinto assim, alguém se daria ao trabalho de enaltecê-la tanto e de combater tanto o seu oposto?
A questão da moral é sempre a mesma: ela só se importa em enaltecer o que não é ponto pacífico e só trata de condenar o que representa algum grau de tentação. (...)
Logo, o próprio empenho da moral e do preconceito em louvar a heterossexualidade e execrar a homossexualidade demonstra que a natureza humana não é tão heterossexual assim. Diga-me o que você condena, que lhe direi o que você teme desejar..."
Eduardo Mascarenhas, citado por Saffioti em O poder do macho, 1985.
Ora, se a heterossexualidade fosse tão natural e determinada pelo instinto assim, alguém se daria ao trabalho de enaltecê-la tanto e de combater tanto o seu oposto?
A questão da moral é sempre a mesma: ela só se importa em enaltecer o que não é ponto pacífico e só trata de condenar o que representa algum grau de tentação. (...)
Logo, o próprio empenho da moral e do preconceito em louvar a heterossexualidade e execrar a homossexualidade demonstra que a natureza humana não é tão heterossexual assim. Diga-me o que você condena, que lhe direi o que você teme desejar..."
Eduardo Mascarenhas, citado por Saffioti em O poder do macho, 1985.
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